
O Brasil planeja criar o Centro Brasileiro de Emergências em Saúde Pública (Cbesp), uma instituição permanente voltada para preparar o país contra futuras epidemias, surtos e desastres climáticos. Idealizado pelo Instituto Todos pela Saúde (ITpS) em parceria com especialistas, o centro será integrado ao SUS, vinculado ao Ministério da Saúde e gerido pela Fiocruz. O financiamento principal virá do Orçamento Geral da União, com receitas complementares de parcerias internacionais. A expectativa do ministério é avançar com o projeto de lei de criação este ano para iniciar a implementação prática em 2027.
O centro funcionará como uma política de Estado e não de governo, blindando as decisões sanitárias de instabilidades políticas, como as registradas durante a pandemia de Covid-19. A estrutura atuará em rede com estados e municípios, além de integrar setores como meio ambiente, agricultura e ciência. O foco será o monitoramento constante e a aplicação da Política Nacional de Emergências de Saúde Pública, baseando todas as respostas e alertas de risco unicamente em evidências científicas para evitar reações tardias diante de crises de grande escala.
A inteligência epidemiológica do centro visa dar agilidade ao sistema de saúde em um cenário global complexo, marcado por ameaças recentes como a dengue, mpox, oropouche e gripe aviária. Especialistas e ex-gestores destacam que, embora o corpo técnico atual do país seja dedicado, uma organização específica e de governança própria trará um salto de qualidade na detecção e no manejo de riscos. O projeto também atualizará o arcabouço legal brasileiro, já que as leis usadas na pandemia perderam a validade após o fim do estado de emergência internacional.

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