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Brasil atinge pela primeira vez nível de “muito alto desenvolvimento humano”, aponta ONU

O Brasil atingiu, pela primeira vez, o patamar de “muito alto desenvolvimento humano”, segundo dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O país alcançou índice de 0,805 em 2024 no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), melhor resultado já registrado na série histórica brasileira.

O levantamento considera indicadores ligados à educação, renda e expectativa de vida da população. O índice brasileiro saiu de 0,744, em 2012, para 0,805 em 2024, ultrapassando pela primeira vez a marca de 0,800, considerada pela ONU como faixa de “muito alto desenvolvimento humano”.

Segundo o relatório, a educação foi o principal fator responsável pelo avanço do país nos últimos anos. O estudo também relaciona a melhora a políticas públicas de inclusão social, ampliação da permanência escolar e programas de transferência de renda, como o Bolsa Família.

O representante do PNUD no Brasil, Claudio Providas, afirmou que o resultado representa décadas de investimentos públicos e avanços sociais. Já a economista Betina Barbosa destacou que o país agora enfrenta o desafio de combater desigualdades históricas ligadas à raça, gênero e renda.

Apesar do avanço histórico, o relatório aponta que as desigualdades sociais ainda permanecem expressivas. Quando ajustado pelos níveis de desigualdade, o índice brasileiro cai de 0,805 para 0,641.

Os dados mostram diferenças significativas entre grupos da população. O IDH da população branca é de 0,851, enquanto o da população preta chega a 0,774. Também existem disparidades regionais: enquanto um homem branco no Rio Grande do Sul possui expectativa média de vida de 81 anos, um homem negro no Amapá vive, em média, 73 anos.

As diferenças também aparecem na renda. Segundo o levantamento, uma pessoa branca no Distrito Federal possui rendimento médio de R$ 1.987, enquanto uma pessoa negra no Maranhão recebe, em média, R$ 446.

O estudo reforça ainda que o desenvolvimento humano brasileiro depende da continuidade de políticas públicas inclusivas e de investimentos em educação, saúde e redução das desigualdades sociais.

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