
O leilão da concessão dos serviços de água e esgoto da Compesa, realizado na B3, movimentou R$ 4,25 bilhões e já começou levantando questionamento.
No meio desse valor bilionário, Caruaru aparece com uma fatia de R$ 33.874.982,65. Dinheiro alto, que chega como reforço de caixa, mas sem obrigação direta de ser investido em saneamento.
E é aí que o alerta acende.
Pelas regras do modelo, as prefeituras podem usar esse recurso de forma livre. Pode ir pra evento, contratação, custeio da máquina ou até cobrir dívida. Enquanto isso, problemas antigos seguem batendo na porta: falta d’água, esgoto a céu aberto e serviço irregular.
Prometeram avanço no saneamento, mas o formato do leilão priorizou arrecadação imediata. 60% da outorga será paga logo na assinatura do contrato, garantindo dinheiro rápido pros cofres públicos. Só que esse valor não surge do nada. Ele vem da tarifa que será cobrada do consumidor ao longo dos anos.
Na prática, quem banca esse “PIX bilionário” é o próprio povo.
Outro ponto que chama atenção é o limite de até 5% no desconto tarifário. Ou seja, a conta de água continua pesada, enquanto o governo garante arrecadação alta.
E tem mais: parte do valor que ficará com o Estado ainda será usada para pagar dívidas da Compesa. Menos dinheiro direto pra melhoria do serviço.
Caruaru vai receber milhões. Mas a pergunta segue no ar: vai virar investimento de verdade ou vai sumir no meio da máquina pública?
O povo merece respeito e resposta, não maquiagem de gestão.

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