
O maior símbolo do carnaval recifense já tem identidade para 2026. O tradicional Galo Gigante, que ocupará a Ponte Duarte Coelho entre os dias 11 e 18 de fevereiro, chega com o nome de Galo Folião Fraterno. A alegoria presta tributo a dom Helder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife entre 1964 e 1985, lembrado como defensor dos direitos humanos e indicado quatro vezes ao Prêmio Nobel da Paz.
Com 32 metros de altura e oito toneladas, a escultura assinada pelo artista Leopoldo Nóbrega e pela arquiteta Germana Xavier mantém a tradição de ser inteiramente produzida com materiais recicláveis. CDs, plásticos, redes de pesca, conchas e garrafas PET compõem o figurino, que neste ano ganha as cores verde, amarelo, azul e branco — em referência ao Brasil e ao fato de o Recife ser uma das sedes da Copa do Mundo Feminina de 2027.
O projeto valoriza comunidades locais e estabelece um diálogo entre Sertão e litoral. Elementos inspirados nos gibões do cangaço se misturam a biojoias feitas de conchas e redes reaproveitadas, chamando atenção para os impactos do lixo nos mares e mangues. A cauda traz sombrinhas de frevo e tecidos reciclados, enquanto o peito exibe um Sagrado Coração iluminado por LEDs e resíduos tecnológicos, em alusão à generosidade de dom Helder.
A edição de 2026 também incorpora ciência e inovação. Espirais de DNA aparecem nas penas da cauda, simbolizando a celebração da vida, e as 27 estrelas da bandeira nacional serão impressas em 3D por jovens do núcleo de robótica das comunidades do Xié e Entra Apulso.
Maria Elvanda de Araújo, amiga do arcebispo, lembrou a relação dele com o carnaval: “Dom Helder sempre aprovou a festa popular. Há histórias de quando pedia a Deus para não chover, porque o povo precisava se divertir. É emocionante ver que sua memória continua viva.”


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